14 de fevereiro de 2016

Quero e não quero... 8 ou 80.


Na doença que me diagnosticaram, é normal  os altos e baixos que tenho e eu sei que o que agora é um bicho de sete cabeças,  amanhã pode passar me ao lado como se nada fosse. No entanto enquanto dura este bicho,  eu tenho uma vontade louca de acabar com tudo, de arranjar uma solução para deixar de sentir.. Não é deixar de sentir coisas boas ou coisas más.  É deixar de sentir,  seja o que for. Quero estar bem,  quero consiguir falar seja com quem for, porque é assim que eu sou, e não consigo.  Não consigo  distrair-me, tenho sempre algo em mente.  Há pessoas que me conhecem melhor que outras e, essas mesmas,  mesmo quando estou a usar uma máscara, sabem o que está por baixo.  O que é a felicidade? E qual a duração dela? Até da felicidade tenho medo.  Sei que, quando estou muito bem,  não tarda muito para dar um tombo e lá vou eu...  Tentam puxar-me mas a minha mente é escura e pesada.  

O meu maior desejo era encontrar alguém que me aceitasse da forma que eu sou. Só pedia uma pessoa... Uma! E caíram do céu mais umas quantas.  Vou ser eu a estragar isto?  Num ato de desespero, vou deitar tudo a perder?  Eu tenho pessoas que me amam ao meu lado,  estou rodeada de amor e tenho noção disso mas...eu não sei.  Parece que me cegaram e por isso a única coisa que consigo ver,  é um mundo escuro. 
Dizem-me que há solução para mim,  e eu, nos dias "SIM", acredito. Tenho noção que isso exige esforço da minha parte e que por vezes tenho de dar o braço a torcer.  Acho que é isso que está a falhar. Não consigo pedir ajuda. Sempre que tento só penso nas consequências que essa ajuda,  seja qual for,  traga. Como iria reagir a minha família ao ser confrontada com o que me vai aqui dentro?  E a minha vida,  que volta iria dar? Há dias que os meus olhos gritam por socorro...gritos silenciosos. Não gosto que me olhem muito tempo nos olhos por essa mesma razão.  Quem me diz a mim que do nada eles não ganhem voz e alguém os ouça? 
Fiz uma promessa.  Prometi-LHES que não me ia magoar mais e que ia fazer os possíveis e os impossíveis para levar a avante a nosso compromisso de eternidade. Eu quero ficar.  Nao lhes quero falhar mas a corda que levo ao pescoço está cada vez mais apertada.  Eu penso: se eu me magoasse,  ia magoá-los. Ao magoa-los e ver a cara deles depois disso,  ia destruir-me e eu não tenho forças em lado nenhum para me levantar. Então... Se eu fizesse algo que eu tivesse certeza que acabava ali,  eu podia falhar na mesma, porque ia,  sem duvida,  mas depois não tinham de me ver mais e talvez assim se esquecessem.. Mas depois penso: não. Eles não são assim. 
Só sei que a minha cabeça anda em esquemas à muito tempo e eu a perder o controlo. Só sei que nada sei. 
Quero e não quero... 8 ou 80.


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