29 de dezembro de 2014

" O dia " PARTE I

18 de Novembro. Esta é a data do dia. O dia em que quis desistir, deixar-me cair e esperar que o tempo me levasse para algum outro lado. Não me perguntem para onde, a única certeza que eu tinha era que não queria estar ali. Sentia-me a sufocar. Gritava e ninguém me ouvia. 
A A* era a única pessoa que eu tinha comigo, a única que era minha amiga, a única de quem eu era amiga. Estávamos tão próximas, tão mãe e filha que não a queria largar por um único instante que fosse. À medida que o tempo passava mais eu vivia para ela. Estava a tornar-me dependente dela e não tinha como por um travão, eu simplesmente não me apercebia. Ela sabia que eu estava doente, sabia que dia após dia estava a perder-me mais e mais. Tentou ajudar-me mas sabia que não podia fazer muito mais senão estar ao meu lado e apoiar-me. Sabes A., eu tive de partir. Tive de desaparecer do mapa, estava a destruir-me... É a coisa que melhor sei fazer, não é? A verdade é que desde há uns tempos que tu já não me ouvias. Não me perguntavas como corriam as aulas, não querias saber se comia,dormia e/ou me cortava. Não querias saber de mim. Estavas a ficar cansada, e eu não te julgo, sabes disso. Lembras-te das nossas conversas à noite? Sempre que vinhas do trabalho roubavas uns minutos ao teu tempo para me ouvir. O que mudou A.? Porquê que a presença de um homem na tua vida te fez esquecer de mim? Cheguei a achar que querias que a iniciativa fosse minha e assim fiz: enchi os pulmões,ganhei coragem e chamei por ti. Pedi-te uns segundos, queria abrir-me contigo, mostrar-te o quão apertado estava o meu coração. Assim que começava a dizer as primeiras palavras pedias-me para sossegar e deixar pois tudo ia passar. Não passou A. Aliás, só piorou. Fiquei sem o meu ombro abrigo, o meu pilar. 
Enchi, enchi e rebentei. Foi dia 18 de Novembro. Passava pouco das onze horas quando pedi ao professor que nos estava a dar aula que me deixasse ir beber agua. Mal sonhava ele que iria acompanhar com aqueles 40 comprimidos. Voltei para dentro. Sentia o estômago arder, queria vomitar mas sabia que se o fizesse provavelmente não ia fazer o efeito que eu esperava. Olhava em volta e via os rostos dos meus colegas de turma, não me arrependia nem um segundo por aquilo, afinal de contas eles também eram culpados. Pouco depois a aula terminou. O meu corpo ardia de forma veloz. Já na aula seguinte, o professor chama-me e pede-me que vá até ele. Levanto-me e puff... Acordei nos cuidados intensivos.
Eu estava tão desesperada...

27 comentários:

  1. Oh, Abby! Meu Deus, quem me dera ter estado lá para ti! ♥

    r: Ai, não digas isso! porque razão iria fugir de ti! E agora acredita que não te vou deixar fugir!
    Não gostas que sejam tantos?
    Sempre aqui! ♥

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  2. O que é que se diz numa situação destas?
    Tenho tanto medo de dizer uma daquelas frases feitas que magoam mais do que aliviam...

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  3. Ola Abby , não conhecia o teu blog e pelo que vi noto que és uma rapariga que perdeu o seu porto seguro e que te sentes ou sentias te desamparada . Não desanimes miúda , o melhor ainda esta para vir , tens de ter pensamento positivo. Mas já sabes se precisarás de algo podes dizer. É sempre bom desabafar com alguém do que guardar para nos próprios. Força!!

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  4. Nunca fiz bolachas fofinha, mas quero muito experimentar!

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  5. Oh Abby! (juro-te que disse isto com o sete associado primeiro!) Era por isto que achavas que me ias desiludir?
    Eu acho que te desiludis-te mais a ti mesma do que aos outros princesa, estou enganada?
    Perdeste esse pilar mas sabes que eu continuava aqui para ti! E quando deixaste de me responder eu pensei logo nesta tua opção e fiquei triste... Porque queria ter o teu contacto pessoal sem ser o mail ou assim para te dizer que estava aqui, que podes contar comigo, com sempre!
    Oh ... Nem sei o que te dizer mais... Não te esqueças da folha, apenas isto*

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  6. Oh querida, é tão triste perceber que um dia chegaste a este ponto, sem ninguém para te ajudar... Espero que as coisas estejam melhor agora, e se te sentires sozinha, podes vir ao meu blog falar comigo!

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  7. Não sei o que te dizer, só conheci o teu blog agora e.. não estás sozinha querida, pelo que li tens aqui amigas na blogo que querem o teu bem, nunca te esqueças disso. Sei que só cheguei aqui agora, mas se precisares de falar podes contar comigo. Força*

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  8. já passaste por muito , e como te sempre disse não adianta dizermos-te "calma, vai acabar por passar .. é só uma má fase" , o importante é que a gente te ouça, fale contigo e esteja do teu lado ! E sabes que estou sempre aqui ... até me caiu uma lágrima, custa-me teres passado por tudo sozinha. Não o voltes a fazer , olha tanta gente que está aqui contigo princesa!

    r: e eu de ti , muito muito <3

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  9. R:Que giro!Eu comprei o meu babylips num supermercado e custou por volta dos 3 euros.
    Beijinhos :D

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  10. E ainda dizes que não és forte?? Porra Abby ainda cá estás!! Lutaste pela tua vida e lutas todos os dias ao aguentar mais um dia sem tentares pôr fim à tua existência! Se isso não é ter força então não sei o que será!

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    1. r: mesmo assim és forte! Pois ainda cá estás! E pára de discutir comigo! Porque é que não podes simplesmente acreditar em ti? Na força que tens? Já viste que não queres cá estar? Mas estás e tens de viver com isso todos os dias! Estás cá contra tua vontade mas estás! E lutas todos os dias contra isso! Portanto sim, és forte!

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    2. r: é quase isso eheh um dia dou-te um abraço :)

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  11. ~Obrigada ^-^ ~
    Aw, ela fez tão mal em deixar-te.. Um homem, um namorado nunca deve mudar uma amizade tão profunda, se ela partiu não chores mais por isso, mais amizades virão. Conta comigo para o que precisares eu já estive nessa situação também. <3

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  12. Eu sei que é a primeira vez que me vês, mas eu estou aqui para o que precisares.
    Para as pessoas chegarem onde tu chegaste é preciso haver muita coisa em cima e sei perfeitamente disto porque estou habituada a lidar com situações destas quase todos os dias.

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  13. r: Okay, agora estou confusa...Eu sou a Luna, sou...

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  14. R: Vá, Dona Abby, vais ter de me explicar esta situação que eu estou a olhar para o ecrã a rir e nem eu sei porquê...

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  15. R: Okay, explica-me lá, que eu já não estou a entender nadinha nadinha nadinha!

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  16. r: First (e isto foi o que me chamou mais a atenção) quando eu naquele post disse que não gostava de aturar os problemas dos outros queria referir-me a uma certa pessoa que se vitimizava muito e quando algo não dava certo, deitava as culpas para os outros e enfim, passava-se muito e só queria (e ainda quer, mas como disse, há limites), andar sempre em chamada, ou seja, não me deixava nem 1 minuto em paz. Mas em relação a ainda a isto, eu estou inscrita num site onde o objetivo é mesmo "aturar o problema dos outros", desde casos amorosos, pensamentos suicidas, problemas familiares, ansiedade, etc. e olha, já cheguei a ficar 6 horas seguidas só com um "paciente", já cheguei a deitar-me às 5 da manhã para acalmar alguém. O problema não está em "aturar o problema dos outros", o problema está em que aquela pessoa em questão era muito possessiva/controladora, não me deixava respirar e atribuia tudo para mim quando eu apenas dava conselhos, entendes?
    Second: Eu só respondo aos comentários se tiverem alguma pergunta concreta ou para desenvolver o assunto, o que eu costumo fazer é: vou ao blog, se não for o meu género de publicações, dou uma resposta ao comentário, se for o meu género de blog, vou vendo os posts, comento-os e sigo-o. Mas geralmente são o meu género de blog, até porque para irem ao meu blog comentar é porque há uma certa semelhança.
    Third: A senhora podia muito bem ter comentado o meu blog que não chateava nada! Chateada estou eu agora por saber que andavas há tanto tempo a lê-lo e não disseste nada... ;)
    (e demorei a responder porque ainda andei à procura da publicação que referiste)

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  17. r: Já leste o comentário? Ou o comentário das 22:28, foi antes de leres?

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  18. r: Não serias mais uma melga, a sério. Bem, se há coisa que eu costumo ver lá nas minhas andanças é pessoas que se isolaram tanto e que têm tanto medo de contar aos mais próximos que se acabam por fechar imenso sobre elas próprias, nessas situações temos de ser nós (os que ouvimos e tentamos ajudar) a tentar criar pontes de segurança/confiança. Há alguns traços que sim, não são fáceis de corrigir e que há muita coisa em cima que os torna assim.

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  19. r: As pessoas têm formas diferentes de reagir às diversas situações a que são expostas, apenas isso. Para quê julgar se cada um é diferente?

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  20. r: Eu penso que é estranho, quando são bebés ainda escapa, mas depois quando são mais velhos é estranho para mim...
    r2: Ahah és tão fofa! *.*

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  21. R: Música do Herman José, fiquei lisonjeada! :D Olha lá, fiquei a pensar, tu consideras-me um "ídolo", porquê, mesmo?

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  22. r: Bem, acho que sim...Mas nem tudo o que escrevo é de coragem, é apenas a minha visão das coisas...E tu também és uma pessoa corajosa, só uma pessoa corajosa aguenta o que tu aguentas. És mais do que eu.

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  23. r: Eu acho que tens...Não só sou eu a dizer, right?

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